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Motivo do desligamento: Decidi mudar de área e me foi oferecido um novo emprego. Gostaria de aproveitar a oportunidade para, oficialmente, agradecer o tempo em que aqui estive, pois, certamente, aprendi muito. Mergulhei de corpo e alma nos enfrentamentos de cada dia. Aos poucos, porém, algo começou a me incomodar, e desfruto deste espaço também para compartilhar isso com os colegas, talvez como uma última colaboração.
Sempre entendi que meu serviço não seria um mar de flores. Afinal, o trabalho era árduo e penoso. Era necessário um sacrifício diário, às vezes dolorido até mesmo fisicamente, para chegar ao glorioso resultado. Ver a missão cumprida e meus superiores olhando para mim com olhar de orgulho fazia tudo valer a pena, até mesmo aquele horror que algumas pessoas sentiam de mim. Sempre valeu. Até que um dia, eu resolvi prestar atenção ao meu redor. Vi pessoas sofrendo, fragilizadas. Se elas mereciam? Posso dizer que a maioria sim. Contudo, por algum motivo, me senti culpada pelo sofrimento delas naquele momento.
“Mas que besteira! Só estou fazendo meu trabalho”, pensei, mas a inquietação não saía de minha mente. De qualquer forma, continuei com minha eficiência nata. “Viva o profissionalismo!”, exclamava para mim mesma, tentando me convencer a continuar ensinando aquilo que eu acreditava que os outros deveriam aprender. Fui levando esse conflito interno por algum tempo, até que minha serventia começou a correr sério risco por uma decisão absurda do governo (sabe uma daquelas leis aparentemente moralizantes, mas que no final só beneficia a poucos?). Eu estava revoltada com a vida, reivindicando para as paredes. Foi quando um homem baixinho entrou no meu serviço com um livro grosso na mão e começou, de repente, a contar uma história.
Não entendi muito bem o que acontecia e tudo que ele disse, mas me lembro que, em um momento, ele contou que um homem chamado Paulo gostava de escrever cartas identificando-se como prisioneiro de Cristo. Aquilo me marcou por alguma razão. Fiquei confusa, não fazia o menor sentido para mim. Sempre ouvi dizer que Jesus era liberdade, alegria, paz e todas essas coisas bonitas. Fiquei intrigada e resolvi descobrir como era a prisão do tal Paulo. Puxei o baixinho na saída e o fiz explicar. Bom, foi ali que tudo mudou.
Posso estar sendo radical, mas a verdade é que, desde então, não pude mais aceitar a ideia de simplesmente impor a alguém o que eu pensava e não ajudá-lo a mudar de vida. Sei que meu emprego não era necessariamente errado, mas eu senti que podia fazer mais. Muitas vezes eu pensava que aquelas pessoas não fossem dignas de uma segunda chance, mas então vi que eu também não era e, mesmo assim, eu estava tendo a oportunidade de mudar. Resolvi aceitar o novo cargo: contar meu testemunho e ensinar as pessoas a serem presas à liberdade de Cristo. Contraditório? Para mim não é mais. Fui convidada a prender homens para o Senhor.
Abraços, Algema
PS: Texto vencedor do desafio final do GINCANÃO da Juventude da IPJB, cujo tema era Liberdade. Escrito por Ana Cláudia Maia Felizola, da Equipe Azul (vulgo EPIUQE LUZA). |